Envelhecimento da população acentuou-se em 2006Em 2005 havia em Portugal 110 idosos por cada 100 habitantes com menos de 14 anos; no ano passado essa relação entre a população acima dos 64 anos e a população jovem passou a ser de 112 para 100. Este aumento do índice de envelhecimento é um dos dados incluídos nas estimativas de população residente para o ano de 2006, ontem divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Alentejo regista o envelhecimento mais acentuado (172 idosos por cada 100 jovens). Seguem-se a Região Centro (142) e o Algarve (125). Nos Açores e na Madeira, pelo contrário, esta proporção destaca-se por ser baixa (64 e 73, respectivamente). Em termos gerais, a população voltou a aumentar, mas a um ritmo inferior (0,28 por cento) ao registado um ano antes (0,38 por cento).
A taxa de natalidade (nados-vivos por mil habitantes) caiu para "o valor mais reduzido dos últimos 15 anos", conclui o INE: 10 (em 2005 era de 10,4). Nasceram 105.351 crianças (menos 4106 que no ano anterior).
Um quarto da população em sofrimento psicológicoMais de um quarto (27,6 por cento) da população portuguesa com idade igual ou superior a 15 anos queixa-se de sofrimento psicológico, revela o último Inquérito Nacional de Saúde (INS), que pela primeira vez apresenta indicadores de saúde mental e cujos principais resultados foram ontem divulgados.
"Mais de 12 por cento das pessoas admitiram ter problemas de saúde mental, avaliação feita provavelmente por baixo, quando apenas 1,7 por cento da população contactou os serviços psiquiátricos em Portugal, em 2005. Isto significa que há um número muito grande de pessoas que não têm resposta", frisa o responsável pelo Plano Nacional de Saúde Mental, Caldas de Almeida. Quanto ao sofrimento psicológico, crê que a elevada percentagem encontrada em Portugal pode ter a ver com múltiplos factores, nomeadamente o mau funcionamento dos serviços de saúde mental. "As almofadas amortecedoras das pessoas mais vulneráveis (mulheres, pobres, idosos) funcionam pior do que em outros países europeus", lamenta.
Inquérito em números
18,6% da população portuguesa com 18 ou mais anos tem excesso de peso. Um problema que é mais evidente nos homens (20,8 por cento) do que nas mulheres (16,6 por cento).
19,6% da população com mais de 10 anos é fumadora. Em 1998/1999 a percentagem era de 20,6 por cento. O consumo de tabaco diminuiu nos homens (de 32 por cento passou para 28,7 por cento em 2005/2006) e aumentou nas mulheres (de 10,1 por cento passou para 11,2).
69%da população com 15 ou mais anos nunca recorreu a uma vacina contra a gripe.
Paris confirma a existência de um contrato milionário de armamento com a Líbia
Dirigentes líbios revelaram quinta-feira a existência de um acordo de venda de armas de Paris a Trípoli, embaraçando as autoridades francesas, que vinham negando quaisquer contrapartidas em troca da libertação, no dia 24 de Julho, das cinco en-fermeiras búlgaras e um médico de origem palestiniana. A oposição exige um inquérito. As revelações, feitas por altos funcionários, na condição de anonimato, durante um encontro com representantes da imprensa estrangeira na capital líbia, corroboraram outras numa entrevista ao diário Le Monde, na quinta-feira, pelo filho do coronel Kadhafi, Saif al-Islam, segundo o qual a França acordara vender ao seu país mísseis anticarro no quadro de um pacto de cooperação.
As revelações líbias relançaram as críticas da oposição socialista, que acusou o Eliseu de não ter feito prova de "transparência", e suspeita que a libertação das cinco enfermeiras búlgaras e um médico de origem palestiniana foi objecto de um negócio secreto. O chefe do Partido Socialista, François Hollande, pediu a formação de uma comissão parlamentar de inquérito. A comissão deve "fazer luz sobre o que é da ordem de um acordo comercial [...] e o que é da ordem de uma negociação com um país que deteve reféns durante oito anos e que tenta desempenhar um papel na cena internacional". O Presidente francês disse-se "favorável" à formação da comissão proposta pela oposição.
Phoenix, a primeira sonda espacial que vai descer no Pólo Norte de Marte
É o próximo geólogo marciano. Até possui a inseparável picareta dos geólogos, em forma de braço robotizado para escavar o solo. A Phoenix, uma sonda da NASA, deverá partir hoje para o espaço. Alvo: as planícies de Vastitas Borealis, no Pólo Norte. Missão: saber se há condições para existir vida em Marte.O grande momento da chegada, em Maio de 2008, assinalará a primeira vez que uma sonda aterrará nas regiões polares marcianas. Isto se ultrapassar a fase mais crítica da missão, a da aterragem. Marte é um cemitério de sondas (dos Estados Unidos, da ex-União Soviética, da Europa), por isso os responsáveis da NASA dizem que a aterragem tem menos de 50 por cento de hipóteses de sucesso. Nessa altura, será Verão. Grande parte do manto branco da região, situada a latitudes equivalentes na Terra à Gronelândia ou à Sibéria, terá desaparecido. Mas era a única maneira de a sonda receber luz nos painéis solares, para uma panóplia de instrumentos poder avançar com as prospecções in loco.
A Phoenix será a primeira a tentar tocar e analisar água marciana, na forma de gelo enterrado. Será que, de tempos a tempos, ela derrete e permite, assim, que a vida microscópica floresça no subsolo? Será que o gelo dos pólos é o resquício dos oceanos antigos que se pensa terem existido em Marte? Aguardam-se as respostas da Phoenix.
Selecção e adaptação de notícias da edição on-line do Público