sexta-feira, 20 de junho de 2008

'Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço'


A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só


António Ramos Rosa

terça-feira, 17 de junho de 2008

What about this?

I believe in the wonder
I believe I can touch the flame
There's a spell that I'm under
Got to fly, I don't feel no shame

I've lost my fear to war and peace
I don't mind that the world is mine
You took the price and realize
That to your eyes the world is mine

I believe in the feeling
All the pain that you left to die
Believe in believing
In the life that you give to try

I've lost my fear to what appears
I do my best, the world is mine
You seem suprised and realize
That to your eyes the world is mine
David Guetta - The World Is Mine
Oh yes, the world is mine.

domingo, 15 de junho de 2008

I'm yours

And nothin's gonna stop me but divine intervention,
I reckon it's again my turn to win some or learn some.


Jason Mraz - I'm Yours

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Returning

Não sei onde é que perdi a minha veia que me permitia escrever e escrever e escrever. São os anos lectivos. Este foi especialmente... duro. Não sei bem que guerras é que ando a combater, nos livros e revistas diz que é porque sou adolescente, o que não é resposta.
Frustração é uma palavra horrível, e acho que tem andado sempre à minha volta nos últimos tempos. São poucas respostas para muitas perguntas. E acho que afinal crescer é mesmo a m*rda a que todos se referem. Eu não queria ser mais nova e saber o que sei hoje, eu quero ser mais nova e não saber NADA do que sei hoje. Não que me agrade a ignorância, mas porque não me fazia falta saber nada disso, e eu gostava de viver assim.
Tornei-me muito queixosa. Resmungona. É um milhão de problemas que não posso pôr em gavetas! E não os posso resolver. I turned my life into a mess. Vou dizendo I para não me lamentar e dizer que foi someone else em quem sequer nem pensei.
Faltam-me uma data de coisas. É espantoso. Não sei como é que se chega a isto. Mas falta-me tanto! É como mudar de casa e ter 20 caixas bonitinhas e bem arrumadas para desempacotar. E quando se chega à nova casa, tão bonita, brilhante e nova, descobre-se que 5 caixas foram perdidas pela companhia de transportes, 7 caíram ao chão, foram arrastadas e estão todas destruídas e amarrotadas e outras 5 não estão claramente no sítio certo da casa e são de difícil movimentação. Sobram 3 que ficaram bem. E é muito pouco.
Este mês o blog faz um ano. Penso que o adoro, adoro este blog. Praticamente desisti do outro, vim respirar para este. Comecei aqui uma nova Ana. Ainda não descobri se gosto dela, é muito mudada, tem muitos problemas e é o resultado de uma Ana antiga que decidiu mudar tudo na pior altura. Acarretam-se as dores e prejuízos. E mesmo que ainda não tenha amanhecido mais claro, o dia está para vir.
Já desisti de encontrar a definição para a minha fé. Apareci com muito mais fé do que julgava ter. Não sei. E, como digo e repito, o que menos preciso é de ir à missa todos os domingos. Afinal sou espiritual e sou religiosa e tenho esta fé toda para partilhar. E se calhar fé também é amor. Sinto-me melhor quando penso nisto. Só deixei de acreditar que ter imensa fé e imenso amor traz imensas coisas boas. O karma é uma treta, anyway, é preferível ser enganado do que injustiçar inocentes.
Os grandes objectivos da vida são cada vez mais decididos por outros e por sociedades. Arrgh, que eu queria escolher e escolher e hoje não se pode. Gostava de saber quantos desses estudiosos é que tiveram de escolher o curso que dá saída em vez do que querem. E quantos é que tiveram de abdicar dos sweet sixteen, seventeen, eighteen, dos bons anos de liceu, de secundário, de high school, para estudar e terem médias estrondosas acima de 16 ou de 17. Poucos ou nenhuns, talvez os mais nerd ou os mais geek, mas poucos. Hoje é assim. Hoje levantamos e vamos para a escola sabendo que é o tudo ou nada. Que temos 16 anos e temos de ser gente grande, temos de fazer noitadas a trabalhar, temos de estudar mil matérias e saber todas na ponta da língua, temos de batalhar por melhores notas, melhores médias, temos de abdicar de mais tempo livre com os amigos para poder trabalhar. Nem temos tempo de decidir o que queremos fazer na nossa vida profissional porque somos abruptamente encaminhados para os cursos que ainda dão alguma saída e brutamente criticados se o curso escolhido é um beco sem saída a nível profissional. E ainda assim chamam-nos crianças? Ainda somos crianças, ainda somos uns miúdos? Eu tenho abdicado de fins de semana em família e de viagens, eu e tantos outros, porque há 3 testes, 2 trabalhos, 1 apresentação oral, trabalhos de casa, matéria atrasada... O que é isto? Pode ser assim... Mas não podem exigir gente grande nuns aspectos e retirar-nos direitos e garantias por afinal sermos gente miúda. E chamem-lhe lá grito de revolta adolescente, não me ralo. Sei que se muitos tivessem de fazer o secundário agora e tentar entrar no mercado de trabalho agora iam fracassar.
Este mês vem cá o Jack. Jack Johnson. Não é uma panca adolescente, não me faz lançar gritos estridentes, não forrei o quarto com a cara dele e não vou ao concerto com um cartaz a dizer 'MARRY ME JACK'. Deixa-me feliz. Pensar que vou deixa-me feliz. A música dele fez a banda sonora de muitas alturas das mais felizes da minha vida. É um senhor e é bonito, mas é a música dele. Acalma-me. E sempre teve respostas. Pude sempre encontrar frases para mim. E por isso eu vou ser a primeira da primeira fila no concerto. Para ouvir bem o que soa tão meu.
Começaram as férias. Aleluia. Preciso de, pelo menos, três semanas para me recompor. Não vou ter a média que sonhei, nem as notas. Trabalhei para isso, ou tentei... o cansaço vence sempre. Para o ano vou tentar mudar de política. Não consigo correr a máxima velocidade o tempo todo, isso frustra-me. Mas não me podem dar melhores notas por estar a tentar correr (?)... Não vale a pena continuar a metáfora, ou a crítica, ou o que fosse.
Que o mundo melhor chegue em breve.

domingo, 1 de junho de 2008

De Mim Para Ti

Pensei chamar-lhe amor...
Que horror!
que falta de imaginação
têm aqueles que amam.
Dizem que sentem
de modo igual, e notem
que mentem de forma banal
dizendo que sofrem
todos do mesmo mal:
o amor, que horror!
tão pouco natural
Como numa palavra pequena
cabe tanto sentir,
ou estão a mentir
ou a pena
com que escrevemos poemas
custa a dirigir!
Decidi chamar viver
ao que por ti sinto
e pode o mundo estar certo
que ao dizê-lo não minto
e nem por lei ou decreto
chamem-me pouco esperto
ou coisa lá perto
hei-de deixar de pensar
que o que sinto por ti
não é amor (que horror!)
é aquilo que vivi.

João Maria Marinheiro