Não sei onde é que perdi a minha veia que me permitia escrever e escrever e escrever. São os anos lectivos. Este foi especialmente... duro. Não sei bem que guerras é que ando a combater, nos livros e revistas diz que é porque sou adolescente, o que não é resposta.
Frustração é uma palavra horrível, e acho que tem andado sempre à minha volta nos últimos tempos. São poucas respostas para muitas perguntas. E acho que afinal crescer é mesmo a m*rda a que todos se referem. Eu não queria ser mais nova e saber o que sei hoje, eu quero ser mais nova e não saber NADA do que sei hoje. Não que me agrade a ignorância, mas porque não me fazia falta saber nada disso, e eu gostava de viver assim.
Tornei-me muito queixosa. Resmungona. É um milhão de problemas que não posso pôr em gavetas! E não os posso resolver. I turned my life into a mess. Vou dizendo I para não me lamentar e dizer que foi someone else em quem sequer nem pensei.
Faltam-me uma data de coisas. É espantoso. Não sei como é que se chega a isto. Mas falta-me tanto! É como mudar de casa e ter 20 caixas bonitinhas e bem arrumadas para desempacotar. E quando se chega à nova casa, tão bonita, brilhante e nova, descobre-se que 5 caixas foram perdidas pela companhia de transportes, 7 caíram ao chão, foram arrastadas e estão todas destruídas e amarrotadas e outras 5 não estão claramente no sítio certo da casa e são de difícil movimentação. Sobram 3 que ficaram bem. E é muito pouco.
Este mês o blog faz um ano. Penso que o adoro, adoro este blog. Praticamente desisti do outro, vim respirar para este. Comecei aqui uma nova Ana. Ainda não descobri se gosto dela, é muito mudada, tem muitos problemas e é o resultado de uma Ana antiga que decidiu mudar tudo na pior altura. Acarretam-se as dores e prejuízos. E mesmo que ainda não tenha amanhecido mais claro, o dia está para vir.
Já desisti de encontrar a definição para a minha fé. Apareci com muito mais fé do que julgava ter. Não sei. E, como digo e repito, o que menos preciso é de ir à missa todos os domingos. Afinal sou espiritual e sou religiosa e tenho esta fé toda para partilhar. E se calhar fé também é amor. Sinto-me melhor quando penso nisto. Só deixei de acreditar que ter imensa fé e imenso amor traz imensas coisas boas. O karma é uma treta, anyway, é preferível ser enganado do que injustiçar inocentes.
Os grandes objectivos da vida são cada vez mais decididos por outros e por sociedades. Arrgh, que eu queria escolher e escolher e hoje não se pode. Gostava de saber quantos desses estudiosos é que tiveram de escolher o curso que dá saída em vez do que querem. E quantos é que tiveram de abdicar dos sweet sixteen, seventeen, eighteen, dos bons anos de liceu, de secundário, de high school, para estudar e terem médias estrondosas acima de 16 ou de 17. Poucos ou nenhuns, talvez os mais nerd ou os mais geek, mas poucos. Hoje é assim. Hoje levantamos e vamos para a escola sabendo que é o tudo ou nada. Que temos 16 anos e temos de ser gente grande, temos de fazer noitadas a trabalhar, temos de estudar mil matérias e saber todas na ponta da língua, temos de batalhar por melhores notas, melhores médias, temos de abdicar de mais tempo livre com os amigos para poder trabalhar. Nem temos tempo de decidir o que queremos fazer na nossa vida profissional porque somos abruptamente encaminhados para os cursos que ainda dão alguma saída e brutamente criticados se o curso escolhido é um beco sem saída a nível profissional. E ainda assim chamam-nos crianças? Ainda somos crianças, ainda somos uns miúdos? Eu tenho abdicado de fins de semana em família e de viagens, eu e tantos outros, porque há 3 testes, 2 trabalhos, 1 apresentação oral, trabalhos de casa, matéria atrasada... O que é isto? Pode ser assim... Mas não podem exigir gente grande nuns aspectos e retirar-nos direitos e garantias por afinal sermos gente miúda. E chamem-lhe lá grito de revolta adolescente, não me ralo. Sei que se muitos tivessem de fazer o secundário agora e tentar entrar no mercado de trabalho agora iam fracassar.
Este mês vem cá o Jack. Jack Johnson. Não é uma panca adolescente, não me faz lançar gritos estridentes, não forrei o quarto com a cara dele e não vou ao concerto com um cartaz a dizer 'MARRY ME JACK'. Deixa-me feliz. Pensar que vou deixa-me feliz. A música dele fez a banda sonora de muitas alturas das mais felizes da minha vida. É um senhor e é bonito, mas é a música dele. Acalma-me. E sempre teve respostas. Pude sempre encontrar frases para mim. E por isso eu vou ser a primeira da primeira fila no concerto. Para ouvir bem o que soa tão meu.
Começaram as férias. Aleluia. Preciso de, pelo menos, três semanas para me recompor. Não vou ter a média que sonhei, nem as notas. Trabalhei para isso, ou tentei... o cansaço vence sempre. Para o ano vou tentar mudar de política. Não consigo correr a máxima velocidade o tempo todo, isso frustra-me. Mas não me podem dar melhores notas por estar a tentar correr (?)... Não vale a pena continuar a metáfora, ou a crítica, ou o que fosse.
Que o mundo melhor chegue em breve.