sábado, 27 de outubro de 2007

Girl Before A Mirror (1932), Pablo Picasso



E de novo acredito
Que nada do que é importante

Se perde verdadeiramente.

Apenas nos iludimos,
Pensando ser donos das coisas,

Dos instantes e dos outros.

Comigo caminham todos os mortos que amei,
Todos os amigos que se afastaram,
Todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada,
Apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre...

Poeta Desconhecido

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Reflexo

Não achas que esteja certo, mas também não é errado. Não te dou a certeza, mas quem seria eu para confirmar?
Só sabemos reflexos, e reflexos servem bem. Reflexo de uma luz, não nos ilumina, ilumina o que está à tua frente. Nem luz é, é escuridão e brilho e trevas e branco, porque é que reflecte, porque é que vemos?
Prestamos toda a atenção, não te vi abrir os olhos, não abri os meus, vi-os abertos, era uma imagem no espelho, um reflexo, outro reflexo... foi quem?
Não chegou. O que é que foi desta vez?
Queremos tanto que venha e que nos ganhe, suplica-me que saiba, nem queres saber. Pergunta-me jamais, sei que está ali, e que não vem, murmura outra vez, não está. Implico quem és e não foste. A pergunta já é minha, não há resposta, vem de onde?
Não estou, ninguém está. Será aqui sequer?

domingo, 21 de outubro de 2007

Believe it...



I wandered through fiction to look for the truth
Burried beneath all the lies.

And I stood at a distance to feel who you are
Hiding myself in your eyes.

And hold on before it's too late.
We'll run 'til we leave this behind.

Don't fall,
Just be who you are
It's all that we need in our lives.

And the risk that might break you
Is the one that would save
A life you don't live is still lost.

So stand on the edge with me.
Hold back your fear and see
Nothing is real 'til it's gone.

Live like you mean it.
Love 'til you feel it.
It's all that we need in our lives.



Yeah, just don't repeat it, I definitely don't wanna hear it.
Beloved one, my baby and only one, stay with me right now.
Always, Forever and After, here, close no matter how far.
Not knowing, but believing.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ham or eggs?!

Ham and eggs on a dish.

The chicken is involved, but the ham is committed.

So... Are you ham or eggs?!

Grey's Anatomy

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Vita (Lat.) = Chaos (Greg.)

A nossa desorientação aqui começa com o princípio que não recordamos e o fim que desconhecemos.
Já fomos átomos, partículas minúsculas. Sabemos lá se um átomo que nos constitui não foi já um átomo numa borboleta ou numa estrela, há muitos milhões de anos. Que sabemos nós disso?
Acho que me dá para a Filosofia e para a instrospecção em todas as alturas menos nos deploráveis 90minutos de quarta-feira ou nos 90minutos de sexta-feira ou quando devia pegar no odiável 'Pensar Azul' e estudar.
Há uns tempos eu jurava que era a pessoa mais feliz que eu conhecia. E agora? Não sei, não. Afinal não sei bem o que é que está do outro lado da janela. E será mesmo que quero o que lá está?
'Só sair daquela porta já é uma aventura!', lá diz o pobre do rato Stuart no filme. E é verdade, sair da porta é uma aventura e tanto. Eu até gosto de aventuras, mas não consigo deixar de pensar em ter outra porta. Ou que tive outra porta. Não quero a outra porta de volta, só queria outra vista da janela e outra luz fora da minha porta.
A vida é um turbilhão com movimento próprio, já nem nego isso. Numa campanha qualquer idiota o parvalhão tinha como slogan 'O Futuro Não Está Nas Tuas Mãos'. E apesar de todos os nomes que lhe chamei, é melhor ter pena. Não está nas minhas, mas não está nas dele, e o coitado vive enganado. Eu posso tratar do meu futuro à minha vontade e com toda a força, mas a vida continua a ter movimento próprio. Posso lá impedir.
Das vezes que quis escrever e melhorar, que quis ser mais construir e destruir, pôr mais de mim, onde é que estava essa peça do puzzle?! Procura procura, já está perdida.
E a partir daqui... deixem-me rir.
Ainda pode vir pior, pode abater-se mais. Eu ainda estou de pé, ainda não caí, não e não. Se calhar estou só a fazer-me de forte, a morder as lágrimas e a dor de estar de pé para dentro. Mas não vou cair.








There's a secret. A huge secret. The biggest secret of all. People look for it, but can't find it. I'm always trying to tell people. I'm always shouting at people about it, always crying with anger, because people won't listen to what I keep shouting. In the end... Oh, I wish people knew the damn secret. I know it. I won't fall, I won't give up. To support it all, there's a secret.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ontem o dia foi NÃO, na sua máxima expressão.
Prometi chegar cedo à escola e logo eu que odeio atrasos consegui atrasar-me. Tive de correr para o autocarro e, quando entrei, tentei revolver tudo para encontrar a carteira, o que de pé é muito difícil. Mas estava uma senhora sentada que me segurou na mochila enquanto eu procurava. Maravilha das maravilhas: 'Esqueci-me da carteira em casa'. A senhora olhou para mim, percebeu-me aflita e disse 'Tome lá, pique um dos meus bilhetes para viajar descansada. Tenho é pena de não a poder ajudar quando voltar, aí já não a devo ver'. Juro que só me apeteceu chorar. Contrariam-me tanto quando eu digo que ainda tenho fé no pouco amor que por aí anda, gozam-me tanto quando eu digo que até aqui em Lisboa ainda há pessoas boas. Afinal eu tinha razão. O problema das pessoas é encolherem os ombros, esperarem que o do lado faça ou até nem se importarem se alguém faz, desde que as próprias não tenham de ter trabalho. It's ugly.
Vou tentanto acreditar que tudo acontece por uma razão, e vou agradecendo ter uma vida tão fantástica, tal como a Rute me lembrou ontem.
O dia hoje foi não, mais pequenino. Deus queira que amanhã seja melhor e que os próximos não venham longe.



"Os homens raramente se explicam, e quando o fazem, fazem-no mal."
Eduardo Mendonza

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Prayer

'God,
Grant me the Serenity to accept the things I cannot change.'


Please Lord,
Give me a little more strenght for me to deal with my troubles,
a little more patience to accept my pain,
a little more comprehension so as to I don't mistreat others,
a little more love for me to rest my soul,
a little more light to keep me breathing
and a little more time so I can get my peace back.


Até Amanhã.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007



Até Amanhã Avó.


Avó, lembra-se de brincarmos aos porquinhos? Lembra-se de andar de gatas comigo debaixo da mesa da sala de jantar, quando já tinha 80 anos?
E das escondidas, lembra-se Avó? 'Agora a Avó fica aí, e eu vou-me esconder, tá bem?'
Lembra-se de fazermos bolachas Avó? Lembra-se que a Avó Teté não queria que eu fizesse bolachas sozinha, deixou-a a tomar conta de mim, mas depois a Avó não se importou que eu deitasse os ingredientes que me apetecessem? E estavam boas as bolachas... hoje sei que foi a Avó que as arranjou para que eu não ficasse triste se elas fossem más, mas é segredo.

Lembra-se das roupinhas das minhas bonecas?

E das muitas calças que eu rompi e a Avó coseu, que precisaram de bainhas, de serem apertadas na cintura ou simplesmente modificadas ao meu gosto? Lembra-se de todas, Avó?

Lembra-se de me levar para aquele seu pequenino altar, que tem no quarto, e de me ensinar a rezar? Lembra-se de rezarmos sempre que os tios tinham exames? E sempre que algo corria mal? Lembra-se Avó?

Era a Bisavó, mas sempre lhe chamámos Avó. Já viu Avó?
Ficam as boas memórias, vou tentar apagar o tempo que a vi no hospital. Vou apagar o seu ar débil, as suas mãos ossudas, a sua pele sem cor. Vou apagar a sua fragilidade, vou apagar as vezes em que tive de lhe dar sopa por uma espécie de biberon. Vou apagar isso tudo, porque não interessa.

Guardo só a última vez que lhe passei a mão no cabelo, lhe dei um beijo na testa e lhe apertei a mão, com imenso cuidado para não mexer nenhum tubo nem a magoar.
E eu sussurrei 'Tenho de ir, Avó. Mas eu volto quando puder, está bem?'; a Avó respondeu, com um imenso esforço e uma tentativa de sorriso: 'Sim, minha filha... Até Amanhã'.



E que assim seja, Avó. Até Amanhã.