Conhece por acaso o Sistema? É um tipo de costas largas a quem é atribuída a morte, estado definitivo e sem emenda possível, de milhares de portugueses hospitalizados. Pelo menos é o que se conclui da explicação que Aida Baptista, presidente da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH), deu à Lusa para justificar os «erros de medicação».
Segundo Aida Baptista, o dito Sistema assassina os pobres doentes recorrendo a quatro modus operandi. A saber:
a) Serve-se do farmacêutico que lê mal a receita porque «a letra do médico é ilegível».
b) Serve-se do médico que receita uma dose excessiva.
c) Serve-se da farmácia que confunde as embalagens e manda outra.
d) Serve-se do enfermeiro que, por exemplo, dá o medicamento ao doente errado.
Como é óbvio, nem o farmacêutico deveria ter confirmado junto do médico o que estava escrito, nem o médico deveria pensar no que faz antes de se pôr a receitar, nem o empregado da farmácia tem culpade ser daltónico, nem o enfermeiro tem a menor responsabilidade no facto de trocar os doentes. Se pensava que estes actos caíam, na melhor das hipóteses, na categoria de acidentes ou erros humanos, mas que não deixam por isso de ter um quadro de responsabilização, desengane-se porque Aida Baptista garante: «Não se trata de um erro humano, mas do Sistema», ou por outras palavras «não há culpados no erro de medicação». Não sei porquê, mas pressinto que nunca ninguém diz à família do falecido o que aconteceu porque, ignorantes, essa gentinha era capaz de querer processar o farmacêutico, o médico e o enfermeiro, coisa que se percebe agora ser muito injusta. A enfermeira enganou-se a dar-lhe os remédios porque estava a cair de sono, em consequência de fazer dois turnos em 24horas? Nem pensar, a culpa é do Sistema.
Agora só é preciso culpar o Sistema por todas as situações em que alguém puser a pata na poça. Risca-se já do código penal a diferença entre crime premeditado, acidente ou negligência, e a distracção passa a justificar o atropelamento e o acidente viário, e mesmo o excesso de álcool no sangue. Só mais uma coisa, não preste atenção às campanhas contra a automedicação: mal por mal, sempre morre em casa.
Isabel Stilwell in Destak

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