terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vamos dormir

Chegas e aconchegas-me. Deitas-te sempre mais tarde que eu e achas sempre que já estou a dormir quando entras e me aconchegas. Só achas que me acordaste quando te deitas.
Aconchegas-me e continuas tudo o que fazes até te deitares. Entras no quarto só para me aconchegares e zarpas para a casa de banho. Voltas em tronco nu, porque, como dizes, não gostas de pijamas. Quem sou eu para me queixar? De qualquer maneira, agora é Verão e está calor, e eu não aguento mais que esta t-shirt enorme que tirei da tua gaveta. O bom de ser pequenina é que caibo na tua roupa toda e toda a tua roupa me dá um ar minúsculo e amoroso - penso eu.
Apagas todas as luzes atrás de ti, deixas a porta do quarto aberta, aproximas-te da janela para a entreabrir. Pode ser que corra alguma brisa durante a noite que alivie o pesadíssimo calor.
Deitas-te. Agora sim, pensas que eu estou acordada. Não falas, mal respiras, deslizas pela cama até mim e abraças-me como se me atacasses com toda a ternura do mundo, contida subitamente nos teus braços. Encostas o nariz ao meu pescoço. Há uma fracção de segundo antes de inspirares em que me interrogo se cheiro muito ao calor impossível que se vive nesta cidade ou se cheiro bem. Inspiras. Não sei, talvez gostes do cheiro, porque continuas a respirar no meu pescoço.
Arrastas as tuas mãos por mim. Desisto. Não quero estar de costas para ti, quero dormir no teu peito. Viro-me com todo o espalhafato que já sabes que vou fazer. Enrolo o lençol e perco tempo a desenrolá-lo, empurro para o chão a roupa que estava aos pés da cama, fixas a silhueta minha que consegues distinguir no escuro com toda a paciência e eu sei que te amo.
Deito a cabeça no teu peito, finalmente. Suspiras descansado. Entrelaço as minhas pernas na tua, alheia ao calor, sei que assim durmo melhor.
Dás-me um beijo na testa. Amas-me. Vamos dormir.

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