Já parei de querer descobrir porque é que é assim. Não sei porque raio é que o ser humano acredita na eternidade, em momentos eternos, amizades eternas, relações eternas, negócios eternos, paz eterna. Não vou criticar a torto e a direito, sofro do mesmo mal. E até sou das tontas que fazem trinta por uma linha para realmente ser eterno. São batalhas notáveis. Dolorosas. Inesquecíveis, sem dúvida. E chega um momento em que lutar contra a corrente realmente faz doer as barbatanas. Aí acaba-se a capacidade de batalhar pelo eterno. Uns batalham e outros vêem batalhar, mesmo que o objectivo seja comum. A verdade é que nem é o fim da batalha, a dor da batalha ou o cansaço que me levam a escrever isto. É que não percebo o que é fiz aos meus eternos, por mais que tente perceber. Sem mais nem menos perderam o sentido. Será que cresci? Será que mudei? Eu insisto na minha falta de tempo. Têm todos tanto tempo, eu estou sempre a contar o meu até aos segundos, como se estivesse a contar moedas de 1 cêntimo para pagar uma conta com a pressão de não ter cêntimos suficientes. Voltamos então ao problema da média. Mas fica só assim referido, não quero discutir isto. Atribuo-lhe a falta de tempo. Atribuo ao que sou. Por mais que eu quisesse ter tempo para todos, para manter todas as amizades a funcionar, para ver todos, saber de todos os problemazinhos desde as dores às alegrias, precisava de tempo e de paciência e de menos cansaço. Eu mal lido comigo. Nem parece meu, isso chateia-me. Esforço-me sempre tanto para espalhar aquela mensagem de que não são as pessoas que se vestem de cândidas e vão à missa every single sunday que são boazinhas, são as que acreditam livremente e que tratam bem outras pessoas, só que este discurso também já está muito batido por mim. Fiquei em paz comigo muito rapidamente. Dói-me, evidentemente que dói. Quando penso nisso, quando me perguntam por mim. Mas nas semanas em que eu trabalho, em que eu cuido dos que me estão mais próximos, em que divido o meu tempo muito organizadamente, também ninguém me disse nada. Não culpo ninguém, era incapaz, mas a verdade é que funciona assim. Se calhar nenhum de nós tem tempo. Vejo é mais uma pressão em cima de mim, deveria sempre ter sido eu a querer combinar, a querer saber. Não posso.
Viver sob pressão é um inferno.
Amanhã às 9h vou à missa, talvez me faça bem.

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