domingo, 1 de julho de 2007

Situação Emocional & Crónica do Dia dos Hospitais

Hoje acordei maravilhosamente convencida da cor do mundo e da felicidade que ainda se encontra escondida debaixo das pedras, tal insecto rastejante. Creio que foi o resultado de umas cervejas a mais na sexta, água com cloro no sábado, comida de plástico ao jantar e 12h de sono, mas não posso garantir que a receita funcione.
Digo ainda que muito foi devido ao Meu homem (Júlio Miguel Amaral Reixa), por quem eu hoje tive coragem de pegar em cartolina, lápis de cera, canetas de feltro, cola, tesoura, fotografias e fazer uma fantástica prenda de anos para o mesmo! Eu, que nunca gostei de trabalhos manuais e nunca peguei num e o terminei por vontade própria... :)



Ah, e hoje começa Julho - já estamos em 2007 há 182 dias e faltam 183 para aterrarmos em 2008. Além de outras tantas coisas importantes relacionadas ao dia, hoje é Dia dos Hospitais, o que de repente me lembrou que nunca me deu para me "queixar" da situação actual dos mesmos.
Nos nossos dias, qualquer um chega à TVI (a SIC também serve, não se exaltem) e despeja uma data de idiotices sobre como o hospital lá da terrinha, cujas urgências recebem 20 pacientes por semana têm de se manter abertas a gastar mal o dinheiro que é pago em impostos, e ainda tem a lata de (hipocondriacamente) dizer que não se pode deslocar 15km no seu Fiat Punto em bom estado até à cidade mais próxima. Já no telejornal do dia seguinte, ou da semana seguinte, observamos então outro fulano (ou fulana) desta vez a reclamar que foi maltratado, que havia falta de pessoal, que a enfermeira tinha olheiras, ou que a empregada da limpeza não limpou o 7º azulejo da 1ª linha a contar da parede da direita e que o melhor é ir ao hospital da cidade mais próxima. Já se perguntaram como é que é possível querer as urgências abertas num dia e no seguinte vir queixar-se que aquilo não funciona? Querido povo português, ai ai...
No entanto, a minha mensagem de hoje não é a queixar-me do povo e dos seus problemas com os hospitais, deixemos isso para uma próxima oportunidade. Vou antes valorizar o trabalho dos médicos, dos hospitais, dos enfermeiros e do resto dos que trabalham dia e noite para salvaguardar a saúde de pessoas que nunca viram e podem não voltar a ver. Por muito que se queixem dos médicos no geral, a verdade é que há bom e há mau, como em tudo na vida, e não é solução praguejar contra os médicos na primeira oportunidade. Primeiro que tudo, pensem no que seria se da próxima vez que precisassem mesmo de um médico, não houvesse nenhum. Isso é que era trágico, isso é que era o caos. Talvez seja por ter médicos na família ou por ter definido a Medicina como a minha vocação já há muito tempo, mas a verdade é que me custa ver médicos e enfermeiros atacados como se a culpa residisse neles e nunca tivessem feito nada de bom. Ninguém dos que aparecem na TVI (e na SIC também) podem jurar a pés juntos que nunca precisaram de um médico ou que quando precisaram não apareceu um, ou dois, ou três. Até pode ser que não o/a tenha tratado pelo melhor (repito: há bom e há mau), mas apareceu de certeza. Estava a trabalhar, estava no hospital. Já terão parado para pensar que há médicos que fazem turnos de noites e dias inteiros? Que têm filhos em casa que muitas vezes já só vêem a dormir?
Antes de nos queixarmos, pensemos nos outros.
Hoje que é Dia dos Hospitais, dedico a médicos e enfermeiros este post, que apesar de insignificante é um sinal de apreço pelo esforço que demonstram diariamente.

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