Noutro dia sentei-me calmamente no sofá para ver televisão a meio da tarde, actividade que parece um luxo no fim deste ano lectivo, sem ter nenhum programa em mente, o que ainda salienta mais o luxo a que me estava a dar. Comecei então com o zapping: AXN, Fox, MTV, Biography Channel, People and Arts, VH1, MCM, Lusomundo Premium, Lusomundo Gallery e, finalmente, parei na SIC Mulher, estava a dar a Oprah. Até nem costumo ver a Oprah regularmente, mas o tema era o Autismo, uma doença grave, em crescimento e que muito poucas pessoas conhecem. Antes de mais, deixem-me acrescentar algumas características da doença, para isto ser uma crónica completa e instrutiva (e melhor perceptível):
- Dificuldades de interacção social:
- Dificuldade acentuada no uso de comportamentos não-verbais (contacto visual, expressão facial, gestos);
- Dificuldade em fazer amigos;
- Dificuldade em compartilhar suas emoções;
- Dificuldade em demonstrar reciprocidade social ou emocional. - Dificuldades de comunicação:
- Atraso ou falta de linguagem verbal;
- Naqueles em quem a fala está presente verifica-se uma grande dificuldade em iniciar ou manter uma conversa;
- Uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
- Falta ou dificuldade em brincadeiras de "faz de conta".
Há alguns anos, as alterações de linguagem apresentadas por autistas foram consideradas apenas uma característica resultante do transtorno que acompanha a doença. Porém, actualmente as questões de linguagem são consideradas como um dos principais problemas do autismo. - Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e actividades:
- Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados;
- Assumir de forma inflexível rotinas ou rituais (ter "manias" ou focalizar-se num único assunto de interesse);
- Repetição insistente de movimentos estereotipados (agitar ou torcer as mãos, por exemplo);
- Preocupação insistente com partes de objetos, em vez do todo (fixação na roda de um carrinho, por exemplo).
fonte da info sobre a doença: Wikipédia
Continuando, estive entretida a assistir ao programa: a ver situações de pais com filhos autistas, a ver a opinião de uma psicóloga especializada em autismo, a ver o que pensam crianças com irmãos/irmãs autistas e a descrição deste conjunto do comportamento do resto da população para com os seus filhos/pacientes/irmãos/irmãs. Saliento que o programa estava a ser mesmo interessante. De repente começa a ser entrevistada uma senhora, cujo nome, peço desculpa, não me consigo recordar, com duas filhas, uma das quais autista. Mostraram uma cena da senhora com a filha autista, de 12 anos, num parque infantil, estando a filha a fazer um birra enorme por causa do baloiço. E a senhora, sem se queixar, julgar ou criticar, limitava-se a lamentar que as pessoas que estavam no parque, e as outras tantas que a observam quando ela está com a filha em qualquer outro sítio público (consultório médico, urgências do hospital, supermercados, etc.), a olhassem com ar desaprovador, como se perguntassem 'Não pode calar a sua filha? Não tem controlo sobre ela?'. Foi quando a senhora teve uma saída fantástica, que passo a citar: 'Instead of judging, people could just stop and ask 'Can I help you?' '.
Na verdade, nunca me tinha passado pela cabeça ter esperança que as pessoas não julgassem e simplesmente perguntassem 'Can I help you?'. Mas acho que, como adolescente 'inconsciente e cheia de sonhos na cabeça', como nos descrevem os psicólogos que escrevem livros (termos traduzidos para português simples e sem termos esquisitos e incompreensíveis que dão um ar importante), posso olhar para a senhora, que tem uma filha autista e tem de encontrar força todos os dias para conseguir aguentar tudo, e inspirar-me e ter esperança em, num dia talvez bastante distante, ver alguém parar, sem julgar um bocadinho que seja, e perguntar 'Can I help you?'.

1 comentário:
Isto é o que dá fazer zapping. Coisas interessantes sim senhora. Olha ´passa lá pelo meu blog
(nexxgouveia.blogspot.com) se quiseres. Não fala de doenças mas é parecido.XD
Fica bem
Ass. A xata de serviço^(Inês gouveia.
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